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sábado, 21 de dezembro de 2013

Boas Festas - Coluna Prazeres da Cerveja

PRAZERES DA CERVEJA

Por Rodrigo Addor

O fim de ano está chegando, e junto com ele vem a época de festas. Amigo oculto, festa da empresa, reunião do pessoal do colégio/faculdade, enfim, época de encontrar e reencontrar os amigos e família. Então, que tal curtir as duas festas mais importantes da temporada e, para cada uma, aproveitar a cerveja certa?


Natal:

As cervejas de Natal, como a Delirium Noel, St Bernardus Christmas Ale, Affligem Noel, entre outras, são feitas especialmente para a época. Normalmente seguindo o estilo Belgian Dark Strong Ale, elas são adocicadas, levemente caramelizadas (forte presença do malte) e com alto teor alcoólico. Podem ser adicionadas frutas vermelhas, e aromas condimentados podem estar presentes. 

Estas características combinam muito com os pratos normalmente servidos no natal. O peru de natal que fica horas dentro do forno, sofre com o aquecimento a Reação de Maillard, que (pulando a explicação chata) deixa ele com aquela crosta crocante. Junto com ele vêm aqueles molhos e caldas doces que a vovó faz, que temperam o peru durante sua estadia no forno, caramelizando-o. Para finalizar, cravos e temperos enfeitando (e espetando) a ave.
Olha só que combinação perfeita! O caramelo e tostado do malte harmonizam com a crosta do peru, tostada e caramelizada pela calda, os aromas condimentados da cerveja encaixam com o cravo e outros temperos, e as frutas vermelhas combinam perfeitamente com os molhos frutados. Isso porque ficamos no prato principal. Sobremesas como pudim de leite, rabanada e tortas de frutas também combinam muito bem com o estilo, aí vai na imaginação de cada um.



Reveillon:

Se eu perguntasse com qual bebida brindamos quando o ano vira, certamente a resposta seria espumante. Mas porque não aproveitar cervejas criadas exatamente para oferecer o espetáculo do espumante para datas comemorativas? Cervejas fabricadas pelo método Champenoise, que são extremamente brilhantes, super carbonatadas (fazem aquelas microbolhas típicas dos espumantes, dando a sensação de frizz) e possuem caráter ácido e doce, lembrando facilmente um espumante Brut, são ótimas escolhas para estourar na virada de ano e dar boas vindas a 2014!
Entre as cervejas feitas pelo método, encontramos a famigerada Deus, produzida na Bélgica e carregada até a França para o champenoise. Junto com ela temos as brasileiras Eisenbahn Lust e a Wäls Brut. Todas elas devem ser servidas nas flutes típicas dos espumantes.

Boas festas e um 2014 com muita cerveja!

Rodrigo Addor é economista, Sommelier de Cervejas pelo SENAC/Doemens Akademie, de Munique, e reside atualmente em Berlim, onde fará o curso de Mestre-Cervejeiro na Versuchs-und Lehranstalt für Brauerei. Também foi criador e sócio do clube de assinaturas de cerveja Prova Essa, onde ficou até Janeiro de 2013.

sábado, 30 de novembro de 2013

Conheça mais sobre o tipo de cerveja pilsner


PRAZERES DA CERVEJA

Por Rodrigo Addor

Que tal falarmos de um estilo que todo mundo conhece, mas nem todos o dão a sua merecida atenção? Sim, o que está em todos os churrascos, aniversários, casamentos e qualquer outra festa em que seja servida bebida alcoólica: Pilsner. 

A cerveja Pilsner teve seu nome retirado da cidade Pilsen (Plzeñ), na região da Bohemia dentro da República Tcheca. Refrescante e com um dourado bonito, chamou a atenção quando foi despejada nos recém lançados copos de vidro transparente, que ressaltava sua beleza (antes as cervejas eram bebidas em copos de metal ou cerâmica).

No meio do século 19 Josef Groll, um cervejeiro da Bavária trabalhando com novas técnicas, usou maltes mais claros que os usuais na época e, com novas técnicas de fermentação, conseguiu uma cerveja mais clara e translúcida, de cor dourada e brilhante. A água sem muitos minerais da região também ajudou para um produto final refrescante, leve e bonito (na época a água era importante, hoje ela pode ser trabalhada artificialmente). 

No final do século 19, quando o estilo estava começando a se popularizar na Europa inteira, chegaram na Alemanha novas tecnologias de refrigeração, acabando com a necessidade de cavernas para estocar a cerveja durante a fermentação e maturação (etapas do processo no qual este estilo precisa ser mantido a aproximadamente 0०C). 

E o que podemos falar da Bamberg Pilsen, a cerveja que veio na última Box gourmet

Uma cerveja que exalta as características do malte, que, mesmo trabalhando em harmonia com o lúpulo e o fermento, se sobressai. É esse malte a mais que vai nos dar os aromas doces que sentimos durante a degustação.
De uma bonita cor dourada e espuma branca e brilhante. Inicialmente podemos sentir um leve aroma de mel e caramelo vindos do cereal maltado. Ao bebermos a cerveja podemos sentir o leve amargor herbal do lúpulo, com um final que deixa a boca seca, pedindo o próximo gole. O retrogosto, aquele que vem depois de beber, é levemente doce, lembrando novamente mel e caramelo. 

Recomendo para a degustação que a cerveja seja servida entre 4 e 6०C em uma tulipa. Nada de capa de gelo ou cerveja semi congelada no freezer!

Normalmente incentivo a harmonização de Pilsen com comidas leves, como saladas bem leves, peixes, frutos do mar e frituras sequinhas, como batata frita. No entanto, por essa característica específica da Bamberg Pilsen, ela combinará muito bem com pratos que levem molhos mais doces, como honey mustard ou algum chutney. Uma picanha que tenha algum molho mais torrado ou caramelizado, ou até uma salada com frutas.

Rodrigo Addor é economista, Sommelier de Cervejas pelo SENAC/Doemens Akademie, de Munique, e reside atualmente em Berlim, onde fará o curso de Mestre-Cervejeiro na Versuchs-und Lehranstalt für Brauerei. Também foi criador e sócio do clube de assinaturas de cerveja Prova Essa, onde ficou até Janeiro de 2013.


sábado, 16 de novembro de 2013

Into the Wild, a cerveja que te faz lembrar do filme!

PRAZERES DA CERVEJA

Por Rodrigo Addor

Durante o feriado de Finados organizei uma viagem de 5 dias para Madrid e Paris. Em Madrid, consegui passar rapidamente pelo bar de cervejas artesanais Irreale, o qual conheci por sorte ano passado, caminhando pelos becos da região de Plaza Mayor. Desta vez, o bar estava mais robusto, com nove bicos de chope e muita cerveja regional. No entanto o que me conquistou mesmo foi uma cerveja que eu bebi em Paris.

Ao chegar na cidade, pesquisei quais os melhores lugares de cervejas artesanais. Achei alguns, mas como a viagem estava corrida, só consegui passar no Brewberry, o que por si só é um bar pequenino, com 4 ou 5 mesas, e um pequeno distribuidor no subsolo com barris e engradados. As opções de cervejas geladas eram poucas, algo em torno de 15 ou 20 garrafas. No entanto, o estoque deles era sensacional, e você poderia pedir para a garçonete colocar uma cerveja quente para gelar enquanto você estava bebendo outra. Não é o melhor jeito de se gelar uma cerveja, mas era uma boa opção para o momento. E foi lá que eu achei a menina dos olhos, uma cerveja interessantíssima e que me deixou muito curioso. O conjunto inteiro era bem bolado. Um rótulo simples, que ia direto ao assunto, com nome e desenho que remetiam diretamente ao processo de fabricação, e traziam um quê de Fugere Urbem, lembrando do livro/filme (Na Natureza Selvagem) que achei sensacional. Assim, comprei a cerveja, fui pro hotel e coloquei-a pra gelar do lado de fora da janela do quarto, já que frigobar em hotel em Paris é luxo e estava fazendo uns 10੦C lá fora.



O que achei muito interessante na fabricação foi a cervejaria usar somente bretanomices (ou brettanomyces) na fermentação e fugir dos estilos que tradicionalmente utilizam esse processo, como Lambics, Saisons e Geuzes, e apostar em uma Witbier fermentada com o maior vilão dos produtores de vinho. Isso porque as bretanomices, ao fermentarem os açucares (tanto da cerveja quanto do vinho) liberam compostos que deixam a bebida com um caráter ácido, azedo, com aromas de queijo velho, couro e, porque não dizer, curral. Assim, produtores de Lambics e Geuze carregam a cerveja de frutas vermelhas (como morango, cereja e outros berries) ou outros adjuntos para amenizar os fortes aromas e sabores. O que essa cervejaria fez foi usar este mesmo fermento em uma Witbier, cerveja mais leve e refrescante que normalmente leva em sua receita laranja e coentro, estilo da famosa Hoegaarden. E o resultado foi surpreendente! Uma cerveja leve, refrescante e muito fácil de beber! Claro, os aromas de queijo velho e couro estavam lá, mas estavam bem inseridos na cerveja, não existia adstringência nem azedo. Acho muito bom quando experiências ousadas dão certo, é daí que saem os produtos mais interessantes.

Rodrigo Addor é economista, Sommelier de Cervejas pelo SENAC/Doemens Akademie, de Munique, e reside atualmente em Berlim, onde fará o curso de Mestre-Cervejeiro na Versuchs-und Lehranstalt für Brauerei. Também foi criador e sócio do clube de assinaturas de cerveja Prova Essa, onde ficou até Janeiro de 2013.



sábado, 19 de outubro de 2013

Da Rússia ao Brasil

PRAZERES DA CERVEJA

Por Rodrigo Addor

InícioUm dia desses, ainda na tentativa de conhecer a minha nova cidade, saí para jantar no restaurante russo Matreshka e lá acabei pedindo uma Baltika Lager (provavelmente a Exportação, pelos 5,4% de álcool indicados no menu) no chope, ou Fass, em alemão. 
Confesso que fiquei um pouco apreensivo ao pedir a cerveja, pois a minha experiência com as Baltikas no Brasil não havia sido muito positiva. E qual a minha surpresa quando me deparo com uma cerveja deliciosa, com um ótimo equilíbrio entre doce e amargo, uma lager com um aroma sutil e encaixado do lúpulo, um doce leve inicial seguido por um amargo seco no final, bem leve e com baixa duração.
Como não havia tido essa impressão no Brasil? Muitas vezes o trânsito das cervejas deteriora a qualidade do produto. Meses batendo de um lado para o outro no navio, seguido de meses na alfândega no sol de 50० durante o dia podem estragar qualquer cerveja. Conversei uma vez com o mestre-cervejeiro e dono da americana Flying Dog e ele me disse - além de motivos obscuros que não cabem aqui - que desistiu do Brasil pelos nossos problemas logísticos e pelo fato das cervejas atravessarem o equador de navio. Fez a comparação com a Europa, para a qual os navios passam pelo Atlântico norte, sempre mares gelados e temperaturas mais amenas. 

Claro que todos temos curiosidade de provar uma Duvel Tripel Hop, - até porque a desse ano está tão maravilhosa com seu dry-hopping de lúpulos Saaz-Saaz, Styrian Golding e o famigerado Sorachi Ace (que pra mim tem aroma fortíssimo de pickles) que todo mundo comenta - ou alguma raridade levada para a nossa terrinha em alguma edição limitada como a Brooklyn Black Ops, mas é importante entender que alguns defeitos encontrados vêm diretamente da pedregosa viagem que as cervejas enfrentam desde o ponto de origem até seu destino final, sua casa ou seu bar favorito. Ou seja, a Baltika em barril que eu bebi aqui em Berlim enfrenta uma viagem muito mais tranquila do que a Baltika bebida no Brasil, sendo muito mais fresca e menos propensa a ter defeitos. 

Os estadunidenses possuem um forte regionalismo, inclusive para suas cervejas. Vá para qualquer bar ou pub em Nova York e veja se você não encontra uma torneira de Brooklyn Lager. Ela está lá. Em qualquer bar. Eles prezam muito pela cerveja feita perto de casa, mais fresca e saborosa. 
Então, que tal da próxima vez que você for no bar, pedir uma cerveja de um cervejeiro local? Você estará incentivando um produtor nacional que batalha para produzir uma cerveja de alta qualidade, além de estar bebendo um produto mais fresco e saboroso!

P.S.: Eu percebi, vendo algumas fotos de Baltikas, que elas são envasadas em garrafas verdes ou transparentes. Quem sabe ainda não faço um texto sobre o Efeito Heineken?!


Rodrigo Addor é economista, Sommelier de Cervejas pelo SENAC/Doemens Akademie, de Munique, e reside atualmente em Berlim, onde fará o curso de Mestre-Cervejeiro na Versuchs-und Lehranstalt für Brauerei. Também foi criador e sócio do clube de assinaturas de cerveja Prova Essa, onde ficou até Janeiro de 2013.

sábado, 5 de outubro de 2013

Oktoberfest: A tradição e as bebidas do maior festival de cerveja do mundo!


Prazeres da cerveja

Por Rodrigo Addor

Início de outubro significa final da Oktoberfest na Alemanha e o início das comemorações no Brasil. Eu não poderia, então, deixar de falar um pouco sobre o evento e o estilo de cerveja mais consumido na data.
A Oktoberfest é um evento anual sediado em Munique, na Alemanha, com mais de 200 anos de história. No ano de 1810 o rei Ludwig I (ainda príncipe) se casa com Teresa de Saxe-Hildburghausen e para comemorar fazem uma festa imensa que acaba virando uma tradição anual.

O estilo de cerveja originalmente servido durante as celebrações é Märzen, ou seja, cervejas de março. Este estilo vem de antes do século 16, quando os produtores de cerveja da Bavária viram que suas cervejas produzidas durante o calor do verão eram de pior qualidade que as produzidas entre outubro e março. Assim, começaram a produzir uma quantidade enorme em março para suprir sua demanda durante o verão e a estocá-la em cavernas ou porões, mantendo-as a uma temperatura mais fria e equilibrada, fermentando lentamente. Existe até um decreto de 1553 que proíbe a cerveja de ser produzida entre os dias 23 de abril e 29 de setembro. 
Estas cervejas possuem em sua receita uma maior quantidade de malte e lúpulo do que as típicas alemãs, deixando-as de uma cor mais escura e sabores mais fortes, vindos de uma torra mais acentuada do malte. Esta mudança na receita também ajuda a preservar a cerveja, pois tanto o lúpulo quanto um maior teor alcoólico (entre 5 e 6%) possuem propriedades conservadoras. 
Quando a nova safra de malte e lúpulo estivesse pronta, os barris então teriam que ser esvaziados para a nova produção de cerveja. E isso era quando?! No final de setembro! 


Nesta época as cervejas já estavam há seis meses armazenadas, e possuíam assim maior tempo de fermentação e maturação, deixando-as mais equilibradas e com sabor mais arredondado. 
Durante a segunda metade do século 20, o festival de Munique ficou conhecido mundialmente, levando para a Alemanha milhões de turistas por ano. Assim, para agradar o paladar internacional, a cerveja origialmente escura de sabores fortes foi clareando até chegar ao atual dourado.

Mas então, depois de todo esse papo, o que podemos encontrar nesta cerveja? 

Com a cor variando de dourado a cobre, ela possui uma espuma sempre branca, presente até o final. No início achamos uma leve doçura do malte, substituída por um final seco e levemente amargo. São cervejas equilibradas e fáceis de beber (tanto que na Oktoberfest aqui da Alemanha só existe do copo de 1 litro, o famigerado Mass), translúcidas e bonitas. O álcool é muito bem inserido, e este 6% de teor alcoólico engana muito bem, pois um dos maiores motivos de intoxicação alcoólica durante o evento são as pessoas que acham que estão bebendo uma Pilsen levinha.

Agora convido todos a procurar algum bar que venda boas cervejas perto de casa e descobrir quando ele comemorará a Oktoberfest! E lembre-se: beba menos, beba melhor!

Rodrigo Addor é economista, Sommelier de Cervejas pelo SENAC/Doemens Akademie, de Munique, e reside atualmente em Berlim, onde fará o curso de Mestre-Cervejeiro na Versuchs-und Lehranstalt für Brauerei. Também foi criador e sócio do clube de assinaturas de cerveja Prova Essa, onde ficou até Janeiro de 2013.